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jueves, 23 de enero de 2014

A clase operária e as camadas populares precisam de um Partido Comunista forte

A clase operária e as camadas populares precisam de um Partido Comunista forte
Dimitris Koutsoumpas*

Uma delegação do KKE dirigida por Dimitris Koutsoumpas*, Secretário-geral do CC, visitou Roma para participar no 2º Congresso do Partido Comunista de Itália. A delegação do KKE reuniu-se com o Secretário do Partido Marco Rizzo, com a Secção de Relações Internacionais do CC do Partido Comunista de Itália e com outros quadros do partido.

Falando num evento aberto no final do Congresso, Dimitris Koutsoumpas destacou na saudação o seguinte:

Queridos Camaradas:

É um enorme prazer estar aqui convosco, no 2º Congresso do vosso partido. Queremos saudar os comunistas de Itália que não renunciaram á luta pelos direitos da classe operária e das restantes camadas populares, à luta pelo derrube da barbárie capitalista, pela construção de uma sociedade sem a exploração do homem pelo homem, pelo socialismo-comunismo.

Queridos Camaradas, os nossos partidos estão a travar esta luta em comum, tanto através do desenvolvimento das relações bilaterais, como através da nova forma de cooperação regional dos partidos comunistas da Europa, a «Iniciativa Comunista». O nosso objectivo é fortalecer a luta contra a União Europeia e ao mesmo tempo, através das lutas dos trabalhadores, promover a única solução alternativa favorável ao povo, a Europa da paz, do progresso, do socialismo.

Camaradas:

A Itália, a classe operária de Itália, os sectores populares, os jovens necessitam de um Partido Comunista forte. Um partido com uma estratégia revolucionária, com laços fortes com a classe operária. Necessitam de um partido baseado nos princípios do marxismo-leninismo, que terá um papel principal na organização da luta dos trabalhadores e inspirará a ideia da nova sociedade socialista. O socialismo não é um capricho dos comunistas, é a única maneira de sair da crise e dos outros impasses sociais da sociedade capitalista. É a única garantia de desenvolvimento das forças produtivas favorável e de acordo com os interesses operários e populares. Só o socialismo pode garantir a soberania popular, o crescimento auto-suficiente e ao mesmo tempo a cooperação em benefício mútuo e a solidariedade entre os povos.

Sabemos que tanto a contra-revolução na União Soviética como nos demais países socialistas, como o eurocomunismo nas décadas anteriores prejudicaram o movimento comunista, não só em Itália e no resto da Europa, mas também a nível internacional. Semearam entre os trabalhadores a decepção, a desmobilização, ilusões sem saída de que supostamente se pode encontrar uma solução «no quadro» do capitalismo, através de governos de «esquerda», «patrióticos», supostamente através de uma melhor gestão, mais «justa» do capitalismo.


É necessário promover a visão socialista

No entanto, hoje em dia, mais de vinte anos após a restauração do capitalismo nos antigos países socialistas, durante os quais os povos experimentaram soluções de gestão do sistema tanto da «direita» como da «esquerda», coloca-se a necessidade da promoção da visão socialista. O KKE estuda a experiência histórica, não só a sua mas também a do movimento comunista internacional, a da construção que conhecemos do socialismo no século passado. Chegámos a conclusões básicas sobre as causas do retrocesso do movimento comunista, da restauração do capitalismo nos países socialistas da Europa Oriental e Central. Aprendemos com a experiência negativa e com a positiva, para inspirar de novo a classe operária com a visão da sua libertação social, para impulsionar a luta de classes, a luta ideológica e a política de classe por uma nova sociedade socialista. Além disso, este rumo é a base para importantes conclusões sobre os erros e as deficiências que actualizam e enriquecem a nossa percepção sobre o socialismo, a sua actualidade e necessidade.

Hoje em dia, as forças do oportunismo pretendem envolver os trabalhadores na linha da «humanização» do capitalismo, por isso é de grande importância histórica defender com firmeza e tenacidade tanto as conquistas da Revolução de Outubro, como a contribuição dos países socialistas, apesar da crítica a deficiências e desvios. Devemos defender a contribuição dos partidos comunistas, do movimento comunista internacional, a necessidade de derrubar o apodrecido e corrupto sistema capitalista. Esta é uma tarefa que deve atravessar de forma unificada as lutas diárias pelos interesses operários e populares, pelos problemas quotidianos dos nossos povos.

Esta tarefa, de organizar a luta dos trabalhadores, de avivar os ideiais socialistas-comunistas no nosso continente e mais além, não pode avançar sem o confronto ideológico e político e o desmascaramento do papel do chamado «Partido da Esquerda Europeia» (PEE), que assumiu o papel do «salmista de esquerda» na União Europeia, e inclusive na campanha anticomunista. O papel dos oportunistas e da formação que criaram ao nível da Europa é duplamente perigoso porque semeia ilusões entre os trabalhadores que, supostamente, pode haver uma União Europeia favorável ao povo, bem como uma gestão correspondente do sistema capitalista em cada país, deixando intactos o poder dos monopólios e da propriedade capitalista nos meios concentrados de produção. No nosso país estes pontos de vista são promovidos pelo partido SYRIZA.

Permitam-me que lhes diga que as forças do PEE que em Itália apresentam o SYRIZA como um «exemplo» e como uma força que serve os interesses populares estão a esconder a verdade. O SYRIZA é uma força para a integração no capitalismo e não para o seu derrube. Aspira a converter-se na nova organização social-democrata do sistema bipolar burguês na Grécia, absorvendo a parte mais apodrecida do velho PAOK, que governou a Grécia durante muitas décadas e é responsável por muitos dos imensos problemas acumulados, bem como pela situação e a degeneração do movimento operário. Na realidade, apesar do foguetório e da fraseologia de esquerda, o SYRIZA está na direcção oposta à linha de ruptura com as organizações imperialistas, os monopólios e o capitalismo.

Camaradas:

O KKE celebrou recentemente os seus 95 anos de história, durante os quais travou duras lutas e fomentou laços de sangue com a classe operária e as restantes camadas populares do nosso país. Hoje em dia continua na vanguarda da luta operária em cada problema que afecta os trabalhadores, os camponeses pobres, os empregados, os trabalhadores autónomos, a juventude e as mulheres das camadas populares. O KKE desempenha um papel principal na luta contra a criminosa organização nazi Aurora Dourada, para que seja isolado nos locais de trabalho, nas escolas e nas universidades, para que não envenene a juventude com os seus sermões fascistas.

No recente 19º Congresso do nosso partido aprovámos por unanimidade a Resolução Política, o novo Programa e os novos Estatutos, reafirmando a unidade ideológica-política do Partido.

Nos documentos do 19º Congresso, o KKE clarifica que, hoje em dia, na Grécia, nas condições de capitalismo monopolista, existem condições materiais objectivas para a construção da sociedade socialista-comunista. A revolução iminente na Grécia será socialista. O nosso Partido avalia, tal como fazia no programa anterior, que não existem etapas intermédias entre o capitalismo e o socialismo, que não existem poderes intermédios. A luta de classes, a linha da luta revolucionária levará ao poder operário popular ou de outra maneira, com outra linha e etapas intermédias será derrotada e assimilada, dará ânimo ao sistema para a longevidade do capitalismo. Propomos à classe operária, aos sectores populares pobres, aos trabalhadores autónomos e aos camponeses, à juventude, às mulheres das famílias populares a construção da Aliança Popular das forças sociais que têm interesse em lutar na direcção antimonopolista, anticapitalista, tendo como consignas básicas a socialização dos monopólios e a cooperativa da produção básica, o cancelamento unilateral da dívida, a não participação em intervenções político-militares, em guerras, a retirada da União Europeia e da NATO, com o poder operário e popular.

O KKE actua na direcção da preparação do factor subjectivo na perspectiva da revolução socialista, ainda que o período da sua manifestação seja determinado por condições objectivas, pela situação revolucionária. Trabalhamos para que o KKE tenha bases sólidas na classe operária, para que o KKE seja capaz de cumprir com as suas tarefas em cada guinada repentina da luta de classes, para que seja um partido que actue sob todas as circunstâncias. Isto não significa que nos distraiamos da realidade, da luta e da reivindicação nos graves problemas dos trabalhadores, dos desempregados, dos jovens, dos reformados pobres, dos locais de habitação populares que sofrem, que não têm com que pagar os medicamentos, que não têm que comer, que estão em perigo de execuções hipotecárias. Estamos na vanguarda das lutas, nas mobilizações com intervenções no Parlamento para a satisfação de necessidades básicas do nosso povo, para aliviar os oprimidos.

Ao mesmo tempo, pretendemos reconstruir numa base de classe o movimento operário e apoiamos a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) e a aliança com os restantes agrupamentos antimonopolistas dos pequenos comerciantes (PASEVE), do campesinato pobre (PASY), dos estudantes (MAS), das mulheres (OGE). Consideramos que a construção da Aliança Popular, que terá bases sociais (e não será uma fusão política a partir de cima), é hoje necessária. É uma aliança social que lutará por todos os problemas populares, pelos salários, as pensões, a saúde, a educação, a segurança social pública, por atenuar a situação dos desempregados, etc., e terá um claro carácter antimonopolista e anticapitalista. Esta aliança social, em condições de situação revolucionária, pode converter-se numa frente operário-popular revolucionária; criar-se-ão órgãos de poder operário-popular, colocar-se-á a questão do poder para o povo, a classe operária, para que se convertam em protagonistas dos acontecimentos.

Para o reagrupamento revolucionário do movimento comunista internacional

Queridos camaradas:

Nas actuais condições destaca-se a necessidade principal de reagrupamento revolucionário do movimento comunista internacional, actualmente numa crise ideológica, política e organizativa.

A partir desta avaliação, o KKE apoia não só os encontros internacionais e regionais dos partidos comunistas, mas também a ideia do surgimento de um «polo comunista» no movimento comunista internacional, formado pelos partidos comunistas que permanecem fiéis ao Marxismo-leninismo, ao internacionalismo proletário, defendem a experiência positiva do socialismo que conhecemos, estudam os acontecimentos contemporâneos e pretendem desenvolver uma estratégia revolucionária que reconheça a actualidade e a necessidade do socialismo.

Com estas reflexões desejamos êxito ao vosso Congresso!

Viva o Marxismo-leninismo e o internacionalismo proletário!


Viva a amizade entre o KKE e o Partido Comunista de Itália!

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